Antes da pandemia de covid-19, mais especificamente no Governo Temer, o Brasil estava vivendo um período de deflação nos produtos. Contudo, em 2020, após uma severa crise nas cadeias de produção, o mundo viu os preços dos alimentos e principais bens de consumo aumentarem de forma vertiginosa. Importante entender os motivos que levaram a essa subida de preços tão grande.
A virada de chave começou na própria engrenagem da oferta global. O fechamento temporário de fábricas na Ásia e os gargalos nos principais portos do mundo paralisaram o fluxo regular de insumos básicos, fazendo o custo do frete marítimo disparar. Ao mesmo tempo, com as pessoas confinadas em casa, o padrão de consumo mudou drasticamente: o dinheiro que antes ia para serviços, viagens e lazer foi redirecionado para bens duráveis, reforma do lar e, acima de tudo, alimentação. Essa demanda continuou aquecida graças aos pacotes de auxílio emergencial ao redor do globo, gerando o cenário perfeito para a alta de preços — muita procura para pouca mercadoria disponível.
Em que pese o fato de estarmos em 2026, os preços ainda não retornaram ao período pré-pandemia, o que tem feito com que muitas famílias tenham dificuldades em fechar as contas no final do mês.
Veja o seguinte comparativo de preços:
| Capital | Dezembro de 2019 | Meados de 2026 | Variação Acumulada |
| São Paulo (SP) | R$ 506,50 | R$ 915,01 | + 80,6% |
| Rio de Janeiro (RJ) | R$ 516,91 | R$ 855,37 | + 65,5% |
| Florianópolis (SC) | R$ 511,70 | R$ 860,73 | + 68,2% |
| Salvador (BA) | R$ 360,51 | R$ 680,10 | + 88,6% |
| Aracaju (SE) | R$ 351,97 | R$ 594,07 | + 68,8% |
Importante destacar que a inflação é grande responsável pela alta desaprovação do Governo Lula, uma vez que o Governo recebeu essa herança do período pandêmico, porém ainda não encontrou uma solução definitiva para o problema.
Aliás, o mundo inteiro ainda tenta lidar com os efeitos duradouros da pandemia em um contexto de guerra na Ucrânia e no Irã.
No Brasil, vale destacar que o impacto foi ainda mais profundo por conta do fator câmbio. Com a disparada do dólar e a taxa de juros no patamar histórico mais baixo até então, o mercado externo se tornou irresistível para o agronegócio nacional. Commodities como soja, milho, carne e trigo passaram a ser exportadas em peso, reduzindo a oferta desses itens no mercado interno. O resultado foi imediato: para garantir o alimento na mesa do brasileiro, o consumidor passou a pagar o preço convertido em moeda forte.
Para fechar a conta, o produtor rural e a indústria enfrentaram uma escalada explosiva nos custos operacionais. A alta do petróleo no mercado internacional encareceu o diesel no transporte rodoviário, enquanto os fertilizantes importados pesaram no bolso do campo. Quando a seca histórica afetou a safra e encareceu a energia elétrica através das bandeiras tarifárias, o círculo se fechou. A inflação que se seguiu não foi apenas um fenômeno passageiro, mas o reflexo de uma economia global altamente interconectada que, ao sofrer um choque de oferta e câmbio, repassou a conta diretamente para o carrinho do supermercado.

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