quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Do Alívio do Governo Temer à Explosão Inflacionária de 2020: Entenda o Choque de Preços no Brasil

 Antes da pandemia de covid-19, mais especificamente no Governo Temer, o Brasil estava vivendo um período de deflação nos produtos. Contudo, em 2020, após uma severa crise nas cadeias de produção, o mundo viu os preços dos alimentos e principais bens de consumo aumentarem de forma vertiginosa. Importante entender os motivos que levaram a essa subida de preços tão grande.



A virada de chave começou na própria engrenagem da oferta global. O fechamento temporário de fábricas na Ásia e os gargalos nos principais portos do mundo paralisaram o fluxo regular de insumos básicos, fazendo o custo do frete marítimo disparar. Ao mesmo tempo, com as pessoas confinadas em casa, o padrão de consumo mudou drasticamente: o dinheiro que antes ia para serviços, viagens e lazer foi redirecionado para bens duráveis, reforma do lar e, acima de tudo, alimentação. Essa demanda continuou aquecida graças aos pacotes de auxílio emergencial ao redor do globo, gerando o cenário perfeito para a alta de preços — muita procura para pouca mercadoria disponível.

Em que pese o fato de estarmos em 2026, os preços ainda não retornaram ao período pré-pandemia, o que tem feito com que muitas famílias tenham dificuldades em fechar as contas no final do mês.

Veja o seguinte comparativo de preços:

CapitalDezembro de 2019Meados de 2026Variação Acumulada
São Paulo (SP)R$ 506,50R$ 915,01+ 80,6%
Rio de Janeiro (RJ)R$ 516,91R$ 855,37+ 65,5%
Florianópolis (SC)R$ 511,70R$ 860,73+ 68,2%
Salvador (BA)R$ 360,51R$ 680,10+ 88,6%
Aracaju (SE)R$ 351,97R$ 594,07+ 68,8%

Importante destacar que a inflação é grande responsável pela alta desaprovação do Governo Lula, uma vez que o Governo recebeu essa herança do período pandêmico, porém ainda não encontrou uma solução definitiva para o problema.

Aliás, o mundo inteiro ainda tenta lidar com os efeitos duradouros da pandemia em um contexto de guerra na Ucrânia e no Irã.

No Brasil, vale destacar que o impacto foi ainda mais profundo por conta do fator câmbio. Com a disparada do dólar e a taxa de juros no patamar histórico mais baixo até então, o mercado externo se tornou irresistível para o agronegócio nacional. Commodities como soja, milho, carne e trigo passaram a ser exportadas em peso, reduzindo a oferta desses itens no mercado interno. O resultado foi imediato: para garantir o alimento na mesa do brasileiro, o consumidor passou a pagar o preço convertido em moeda forte.

Para fechar a conta, o produtor rural e a indústria enfrentaram uma escalada explosiva nos custos operacionais. A alta do petróleo no mercado internacional encareceu o diesel no transporte rodoviário, enquanto os fertilizantes importados pesaram no bolso do campo. Quando a seca histórica afetou a safra e encareceu a energia elétrica através das bandeiras tarifárias, o círculo se fechou. A inflação que se seguiu não foi apenas um fenômeno passageiro, mas o reflexo de uma economia global altamente interconectada que, ao sofrer um choque de oferta e câmbio, repassou a conta diretamente para o carrinho do supermercado.

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