Por Bruno Vértice
O senador Cleitinho (Republicanos) liderava todas as pesquisas para o governo de Minas Gerais, com 35% das intenções de voto na mais recente rodada da Quaest. Nesta segunda-feira (03/08), anunciou, chorando, que não será candidato. A razão não foi estratégica, nem partidária — foi pessoal: o irmão mais novo do senador, Matheus Azevedo, morreu em 18 de julho, vítima de leucemia.
Meses de indecisão até o desfecho
A trajetória até aqui foi de sinais trocados. Desde o fim de 2025, Cleitinho mantinha o Republicanos em suspense sobre uma candidatura ao Executivo estadual, prometendo definição para março, depois maio, depois após a Copa do Mundo, até fixar 5 de agosto como prazo final. A ausência do senador na convenção estadual do partido, em 25 de julho — sete dias após a morte do irmão —, levou a executiva a divulgar nota responsabilizando-o pelo fracasso das articulações. Cleitinho reagiu publicamente afirmando que seguiria candidato, e viu irmãos e aliados ameaçarem deixar a política em sua defesa, num movimento de pressão que chegou a fazer o Republicanos recuar e suavizar o discurso.
O desfecho não previsto pelo cálculo político
No fim, não foi a pressão política que decidiu — foi o próprio senador reconhecendo, em vídeo ao lado do presidente nacional do partido, Marcos Pereira, que não estava em condições emocionais de iniciar uma campanha enquanto ainda processava o luto. Pediu desculpas ao povo mineiro pela demora em decidir.
O que isso muda na disputa
Com a saída do favorito absoluto, a corrida mineira se reabre por completo. A mesma pesquisa Quaest que o colocava em primeiro (35%) mostrava Alexandre Kalil (PDT) em segundo, com apenas 12% — e Patrus Ananias (PT) em terceiro, tecnicamente empatado com Kalil, em 10%. É exatamente o cenário que já discutimos aqui: o PT lançando candidatura própria contra Kalil, numa disputa que parecia secundária diante da liderança consolidada de Cleitinho. Sem o favorito na mesa, a briga interna da esquerda mineira — e a capacidade de Kalil consolidar o campo de centro-direita — ganham peso imediato e inesperado.
Um vácuo que nenhum partido estava preparado para preencher
O Republicanos agora enfrenta o problema inverso do que tinha há uma semana: em vez de gerenciar um favorito hesitante, precisa encontrar, em poucos dias antes do fim do prazo de convenções, um substituto capaz de herdar parte dessa base eleitoral. Não é tarefa trivial — a liderança de Cleitinho vinha muito da própria figura pessoal (ex-radialista evangélico, com apelo direto ao eleitorado popular), não de estrutura partidária que se transfira automaticamente a outro nome.
A lição da semana
Pesquisas eleitorais medem intenção de voto em um momento — não preveem luto, nem imprevistos da vida pessoal de um candidato. Minas Gerais entra na fase decisiva da corrida eleitoral com o nome mais forte fora do tabuleiro, e o restante do campo político tendo, de um dia para o outro, que recalcular tudo o que vinha planejando em torno da candidatura que parecia impossível de perder.

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