sábado, 1 de agosto de 2026

A Cadeira Vazia: Por Que Flávio Bolsonaro Não Consegue Fechar um Vice

 Por Bruno Vértice

Sete meses depois de ser escolhido por Jair Bolsonaro como herdeiro político, Flávio Bolsonaro foi oficializado candidato à Presidência numa convenção na Arena Pacaembu — sem vice definido, sem coligação partidária relevante, e cercado por um isolamento que a própria militância já não consegue mais disfarçar.

Um roteiro que deveria ser fácil

No início de 2026, o caminho parecia traçado: com Jair Bolsonaro inelegível e sob prisão domiciliar, Flávio surgia como sucessor natural, capaz de herdar o eleitorado do pai sem carregar sua rejeição recorde. Lideranças do PL apostavam em transformar essa herança em ampla coalizão de direita rapidamente. Seis meses depois, nada disso se concretizou.




Tereza Cristina disse não

A ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina recusou o convite para compor a chapa como vice — um recado desconfortável, vindo de um nome que representaria justamente a ponte com o agronegócio que a candidatura precisa. Sem ela, o nome mais discutido hoje é alguém do Republicanos, partido que sequer confirmou compromisso nacional com a chapa.

Os aliados que preferem esperar

União Brasil e Progressistas, reunidos na federação União Progressista, optaram pela neutralidade, concentrando esforços em acordos estaduais em vez de embarcar na disputa presidencial. Se a campanha seguir só com o PL, Flávio deve ter cerca de 20% menos tempo de propaganda no rádio e TV do que Lula — um handicap estrutural, não apenas de imagem, que afeta diretamente o alcance da campanha nos meses decisivos.

Michelle e a fratura pública

Em 24 de junho, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou um vídeo afirmando ter sido desrespeitada e maltratada por Flávio na condução da candidatura — expondo publicamente uma divisão que, até então, ficava restrita aos bastidores. Somado a isso, veio a revelação de que Flávio pediu recursos a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar um filme sobre o pai — episódio que gerou desconforto entre dirigentes do próprio Centrão avaliando a candidatura.

A sombra que nunca foi embora

Por trás de tudo isso, ronda o nome de Tarcísio de Freitas. Preferido do Centrão e do mercado financeiro desde o fim de 2025, o governador de São Paulo segue como a alternativa que parte do establishment político — e, segundo relatos, até ministros do próprio STF — ainda gostaria de ver na disputa contra Lula, mesmo com Flávio já formalmente lançado.

O que o isolamento realmente significa

Dirigentes do Centrão são diretos no diagnóstico, ainda que em privado: Flávio não conseguiu ampliar o diálogo com o eleitorado moderado e segue restrito ao núcleo bolsonarista. Isso não é só um problema de simpatia pessoal — é um sinal de capacidade de governo. Um candidato que não consegue montar uma chapa, muito menos uma base de apoio parlamentar, chega ao segundo turno (se chegar) sem a musculatura política necessária pra governar, caso vença.

O prazo que está acabando

O período de convenções se encerra em 5 de agosto. Até lá, o PL segue insistindo nas negociações — mas o cenário mais provável, segundo avaliação da própria direção do partido, é uma chapa formada só pelo PL, isolada exatamente no momento em que precisaria demonstrar força de coalizão. Nenhum candidato venceu uma eleição presidencial brasileira recente sozinho. Flávio está testando, ao vivo, se essa regra ainda vale.

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